segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sonhei (Eu iria mudar, mas agora vai assim: como escrevi ontem)

     Corria, corria, corria. Atrás de uma bicicleta: um cachorro persegue sua roda. Logo começou o cansaço, como isto era possível para alguém que tanto lutara para chegar até ali? 
     Continuei a maratona atrás do círculo de látex. Motivos diversos para fazer aquelas patas bambas continuarem a se movimentar. Mas a marcha mudou, a velocidade aumentou e, como era de se esperar, fiquei a uivar depois de um esforço que englobava alguma razão, uma considerável vontade e bastante fracasso.
     Foi desta maneira, não através de um atropelamento, que percebi que os cães espertos apenas ladram. Felizes são estes, por suas pernas não ficam amolecidas após uma dura e (quase) sempre fracassada empreitada contra as marchas cruéis e diversas de uma bicicleta e seu maldito cestinho.
     Mesmo assim, novamente preparo-me para correr. Desta vez tendo objetivo é bem mais carnal, se é que me entendem.
    Afinal, nunca vi cachorro se alimentar de borracha. Já ossos já vi muitos não largarem. Apesar de saber que posso mastigá-lo, descobri que não tenho posse desse tutano que tanto desejo. Gostaria ser um homem, as vezes.

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