Não havia nada pior: além de perder a namorada, ele era chamado de corno. Tentou de todas as formas esconder que ela havia aparecido com outro na sua festa de aniversário, mas você sabe como é o colégio. Logo, este era o assunto de todas as conversas nos corredores, na biblioteca, no bar, nos bilhetes na sala de aula. Definitivamente, ele era o corno do ano.
Durante duas semanas, não teve vontade de fazer nada. Passava boa parte do tempo matando aula no terraço do colégio, fodendo com suas notas e seus pulmões. Foram naquelas duas semanas, ele desconfiou depois, que começou a ficar viciado para valer em cigarros.
Talvez fosse o excesso de Legião no walkman, mas tinha certeza que nunca nenhum homem havia sofrido tanto por uma mulher como ele por ela.
Por causa daquele egocentrismo típico dos jovens, acreditou que ninguém jamais sofreria como ele. E então, na terceira quarta-feira, e segunda aula de literatura que matou, ouviu alguém se aproximar do terraço.
Pensou que fosse seu amigo, única pessoa que realmente conhecia seu esconderijo, mas sentiu um perfume de sabonete de bebê. E definitivamente seu amigo não fazia o tipo de quem usava sabonete de bebê.
- Poxa, você tá mal mesmo - ouviu uma voz conhecida falar.
Sentado no cimento frio, o garoto levantou a cabeça e olhou para cima. Era uma colega de aula. Ficou surpreso por alguns segundos. Ele e Maria Fernanda eram de grupos diferentes. Ele mal lembrava se este era realmente o nome dela. Mas lembrava que enquanto ele fazia o estilo roqueiro, ela era toda certinha e andava com os playboys fãs de raves.
- Oi, Maria - disse sem se importar se este era seu nome.
- Engraçado, ninguém me chama de Maria.
- Hum... sei.
- Posso sentar?
- Hã? Sentar? Pode, claro.
Ela jogou um livro no chão e sentou sobre ele. Provavelmente para não sujar seus jeans de grife.
- Tá surpreso de me ver aqui, né?
- Não. Quero dizer, não sei. Talvez.
- Eu também tô.
- Tá o quê?
- Surpresa.
- Ah, tá.
- Tudo bem de eu ficar aqui com você?
- Você tá matando aula de literatura.
- Não tem problema. Acho que não vai ter nada de tão importante assim. Além do mais, já tô de saco cheio de Machado de Assis.
- Machado de Assis é o maior escritor brasileiro.
- Pode ser. Mas eu acho que a gente é muito jovem e imaturo pra ler o cara.
- É. Talvez você tenha razão.
Ele não poderia acreditar. Eles estavam conversando. Maria e ele eram colegas de aula desde a terceira série e, desde então, haviam trocado no máximo vinte palavras.
- Mas não vim pra falar de literatura.
- Não?
- Vim falar com você…
- Comigo?
- Sim. É que…
- Quer um cigarro?
- Não fumo.
- Importa se eu fumar?
- Mais ou menos… Mas se quiser, tudo bem.
- Valeu. Prometo que não jogo fumaça pro seu lado.
- Obrigada.
- Então… Você veio falar comigo?
- Vim. É que, hã, tava pensando em tudo que aconteceu com você. Já ouvi todas as versões: que você mereceu, que ela foi filha da puta, que você só tá se fazendo de deprimido. Ouvi tudo isso e nada me importa. Não quero fazer julgamentos, nem nada. Só acho que este é um bom momento pra dizer o que sinto.
- E o que você sente?
- Você não sabe, mas desde a quinta série passo boa parte do meu tempo…
- Continua…
- Olha, foi difícil vir até aqui. Tive que juntar toda coragem que tenho e que não tenho. Por isso, você não vai poder me apressar, ok?
- Ok. Desculpa Maria.
- Tudo bem, mas me chame de Fernanda, ok? Vamos lá: passei boa parte do meu tempo pensando em você.
- Em mim?
- É, em você. Desde a quinta série, quando você se ofereceu pra me levar de ônibus até minha casa porque meu pai não podia me buscar, desde aquele dia constrangedor, não paro de pensar em você.
- Putz. Tinha me esquecido disso. Você nunca tinha andado de ônibus sozinha e tava morrendo de medo! Que absurdo!
- Sei que era um absurdo, que eu era uma filhinha de papai medrosa, mas aquilo foi lindo. A gente não falou nada no caminho inteiro e, mesmo assim, só consegui pensar em você. Sei que nós somos diferentes, sei que você me acha uma mimada sem graça, mas não posso te ver assim arrasado, perdendo as aulas…
Estava pasmo com tudo aquilo. Mas ainda se achava o maior sofredor de todos os tempos.
- Não sei o que você tá querendo dizer, Fernanda. Só sei que não posso fazer nada. Tô assim fodido e pronto. Fui um namorado insensível, mereci aqueles chifres. É isso. Sou corno. E não há nada pior do que isso. Ser corno e saber que mereço ser chamado assim.
- Claro que há coisa pior.
- O quê por exemplo?
- Ser apaixonada por alguém e não ter coragem de dizer. Ser apaixonada por alguém que te acha fútil.
- Você fala assim porque nunca viu alguém que você gosta com outro.
- Vi sim.
- Quem?
- Você, seu estúpido.
- Mas não sou seu namorado.
- Eu correria o risco de ser traída se você quisesse ficar comigo.
Ela disse e depois, com uma rapidez de quem era campeã de handball no colégio, pegou seu livro e desapareceu do terraço.
Ficou um bom tempo ali, olhando para onde Maria Fernanda estava sentada, sem saber o que fazer. De repente, deu um frio na barriga e começou a sentir um medo, o mesmo e velho medo estúpido que tanto conhecia, aquele medo de sempre, o medo de estar novamente se apaixonando e não saber o que fazer com isso.
E, quando percebeu, já havia descido para a sala de aula. No meio do caminho, ouviu algumas pessoas chamando-o de corno. Não deu a mínima. Afinal de contas, ele já sabia: sim, havia coisa pior no mundo.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Vergonha
Era algo assim que sentia naquela hora que deveria estar na cama mas estava lá olhando pra ela e pensando mil e uma desculpas para encostar em seu corpo, rosto ou dizer algumas palavras em seu ouvido e também foi após isto, naquela hora tola - e inocente - que acreditei que ela estava acariciando minha mão e fiquei contente acabando por abrir um sorriso que logo se transformou em decepção - acho que concordam que confundir uma mão com a bolsa tira-colo não é algo agradável, né?
[ Noite curta e curta a noite. Sem arrependimentos. ]
[ Noite curta e curta a noite. Sem arrependimentos. ]
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Incompleto
[...]
- Aconteceu alguma coisa?, ela perguntou.
- Como assim?
- Você não para de me olhar.
- Sei lá. Só estava pensando.
- Pensando no que?
- Nos seu tênis.
- Nos meus tênis?
- É. Os seus coturnos.
- E o que é que tem o meu coturno?
- Sei lá. É que você tem estilo, entende?
- Obrigada. Você também tem.
- Que nada. Eu corto meu cabelo curtinho e uso tênis Nike. Isto por acaso é estilo?
- Pelo menos você tem opinião. Já é algo, né?
- Mas você é diferente. Eu sou uma cópia de xerox vagabunda. E você é original.
- Ah, cala boca.
- É que em você tudo faz sentido.
- Para de falar bobagem.
- Não é bobagem.
- Minha casa tá vazia hoje a tarde, passa lá?
- Não é bobagem.
- Passa ou não passa?
[.. To be continued...]
- Aconteceu alguma coisa?, ela perguntou.
- Como assim?
- Você não para de me olhar.
- Sei lá. Só estava pensando.
- Pensando no que?
- Nos seu tênis.
- Nos meus tênis?
- É. Os seus coturnos.
- E o que é que tem o meu coturno?
- Sei lá. É que você tem estilo, entende?
- Obrigada. Você também tem.
- Que nada. Eu corto meu cabelo curtinho e uso tênis Nike. Isto por acaso é estilo?
- Pelo menos você tem opinião. Já é algo, né?
- Mas você é diferente. Eu sou uma cópia de xerox vagabunda. E você é original.
- Ah, cala boca.
- É que em você tudo faz sentido.
- Para de falar bobagem.
- Não é bobagem.
- Minha casa tá vazia hoje a tarde, passa lá?
- Não é bobagem.
- Passa ou não passa?
[.. To be continued...]
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Dois Tempos
Entre as fingida raiva, a falta de compromisso e toda essa falsa ofensa fico eu sem entender bem até que ponto existe brincadeira ou se este descompromissado não existe - na verdade o vínculo é forte e faz-se necessário uma explicação - e o cômico é que isto me afeta com uma confusão tamanha que pelo menos quando bebo - talvez por ser fraco para bebida - deixo de entender até que ponto é piada verdadeira ou somente uma mentira.
No final das contas, faz-se necessário a explicação. E é nesta parte que não se aguenta e corre-se para clicar rapidamente naquele xizinho que tanto nos enfurece quando o alvo somos nós. Este é o primeiro tempo, mas parece um fim, não é mesmo?
Mas é logo após isto que a vozinha que mal dá para ouvir te alegra mesmo vinda de longe, te deixando meio sem jeito por tantos julgamentos sem razão - pois sabemos como todos nós sempre consideramos a pior das saídas a verdadeira - e depois de madrugada acordada e mesma quantidade de palavras quanto de silêncio, acaba-se a vozinha mas você sabe que a reencontrará só que talvez menos desgastada e isto é bom - o reencontro, não o desgaste - mas você não sabe até quando toda essa alegria de reencontro durará - e para ser sincero, você não se importa, o momento é bacana, o conteúdo é legal - e você tenta aproveitar e deixa-se levar por perceber como muitas vezes criar teorias para os sentimentos é mais que desnecessário: é um erro.
Entre o nada e o infinito.
O fim de algo grande e o começo de algo maior ainda.
Ou talvez uma simples pausa.
(Não, nada de pausa, fim ou começo).
No final das contas, faz-se necessário a explicação. E é nesta parte que não se aguenta e corre-se para clicar rapidamente naquele xizinho que tanto nos enfurece quando o alvo somos nós. Este é o primeiro tempo, mas parece um fim, não é mesmo?
Mas é logo após isto que a vozinha que mal dá para ouvir te alegra mesmo vinda de longe, te deixando meio sem jeito por tantos julgamentos sem razão - pois sabemos como todos nós sempre consideramos a pior das saídas a verdadeira - e depois de madrugada acordada e mesma quantidade de palavras quanto de silêncio, acaba-se a vozinha mas você sabe que a reencontrará só que talvez menos desgastada e isto é bom - o reencontro, não o desgaste - mas você não sabe até quando toda essa alegria de reencontro durará - e para ser sincero, você não se importa, o momento é bacana, o conteúdo é legal - e você tenta aproveitar e deixa-se levar por perceber como muitas vezes criar teorias para os sentimentos é mais que desnecessário: é um erro.
Entre o nada e o infinito.
O fim de algo grande e o começo de algo maior ainda.
Ou talvez uma simples pausa.
(Não, nada de pausa, fim ou começo).
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Epifania
- Nós somos esses seres complexos, cheios de manias, de traumas, de crenças. Sujos, eu diria. Não reagimos mais espontaneamente. É como se tudo estivesse predeterminado e nós vivêssemos pelo segundo seguinte. Demos o controle da nossa vida a mãos alheias e nos livramos de todas responsabilidades. Escolhemos ser vítimas.
- Vítimas?
- Sim. Vítimas da própria vida. Que sentido faz isso? Existe um mundo de oportunidades, o seu mundo. Bloqueamos a criatividade, matamos o instinto. Por puro e simples medo. Medo de falhar. Medo de opiniões, dos dedos que apontam em sua direção, dos olhares. Medo de conhecer nossos limites, medo de elogios.
- Ninguém teme elogios.
- É tudo que tememos. Não importa o quão ruim você é, mas o quão bom você não é. Chega de parâmetros, de comparação. Ninguém se importa com isso.
- É verdade. Tudo que fazemos na vida é uma tentativa de ser mais amado.
- Amor não preenche vazios. Amor excede.
[Pausa]
- Temos essa mania de negatividade. Pensamos demais, calculamos demais. Determinamos os nossos sentimentos. O caminho sutil esta dentro de todos nós, mal interpretado, ignorado. Escolhemos o difícil.
- Não estou me sentindo bem.
- São os efeitos colaterais da vida que escolheu. Eu me sinto libertado. Eu queria lhe dizer... comece a fazer na vida o que deseja fazer, sem nenhum conselho.
- Nem mesmo seu?
- Nem mesmo meu. As suas respostas, todas as suas respostas, estarão nas tentativas. Um dia não precisará mais tentar.
- Vítimas?
- Sim. Vítimas da própria vida. Que sentido faz isso? Existe um mundo de oportunidades, o seu mundo. Bloqueamos a criatividade, matamos o instinto. Por puro e simples medo. Medo de falhar. Medo de opiniões, dos dedos que apontam em sua direção, dos olhares. Medo de conhecer nossos limites, medo de elogios.
- Ninguém teme elogios.
- É tudo que tememos. Não importa o quão ruim você é, mas o quão bom você não é. Chega de parâmetros, de comparação. Ninguém se importa com isso.
- É verdade. Tudo que fazemos na vida é uma tentativa de ser mais amado.
- Amor não preenche vazios. Amor excede.
[Pausa]
- Temos essa mania de negatividade. Pensamos demais, calculamos demais. Determinamos os nossos sentimentos. O caminho sutil esta dentro de todos nós, mal interpretado, ignorado. Escolhemos o difícil.
- Não estou me sentindo bem.
- São os efeitos colaterais da vida que escolheu. Eu me sinto libertado. Eu queria lhe dizer... comece a fazer na vida o que deseja fazer, sem nenhum conselho.
- Nem mesmo seu?
- Nem mesmo meu. As suas respostas, todas as suas respostas, estarão nas tentativas. Um dia não precisará mais tentar.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Interessante...
O espanto que me envolve quando percebo que sou, como qualquer um é, descartável...
Me causa um pouco de medo, mas não surpresa.
[ Pare de falar merda, vá se divertir. ]
Me causa um pouco de medo, mas não surpresa.
[ Pare de falar merda, vá se divertir. ]
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Aprendizado 2
Sempre achei difícil me contentar com algo que não fosse espetacular. Ou sempre achei difícil aceitar essa idéia. Nada de 'mais ou menos' ou normalidade. Sempre busquei os extremos. Felicidade intensa sem um minuto de dúvidas ou medos. O 'não-consigo-viver-sem'tipo de sentimento.
Previsível ou não, quase sempre quebrei a cara. A realidade nunca superava a perfeição das minhas idéias e eu me livrava de sentimentos com incrível facilidade. Simplesmente por achar que eles não existiam.
Não sou uma constante. Estou em eterno processo de mudança e minha cabeça não aceitaria nada que fosse estático. Nada que beirasse a mesmice.
Das coisas que aprendi, talvez uma das mais importantes foi dar valor ao 'simplesmente bom'. Saber reconhecer quando algo está legal o suficiente no presente e deixar as coisas como elas estão.
Muita calma. Não estou dizendo que passei a me contentar com pouco. Simplesmente parei de deixar as minhas idealizações esconderem a realidade, o agora. Consegui parar de questionar o futuro. Aprendi a reconhecer os momentos agradáveis que fazem a minha vida mais leve. Sentir, mais do que pensar. Entorpecer-me com a calma que isso me traz.
Soa perfeito, não?
Diria que longe das minhas antigas idealizações, mas é o fio que me segura nos momentos difíceis. Quando nada, nada consegue ser melhor do que 'bom o suficiente'.
Previsível ou não, quase sempre quebrei a cara. A realidade nunca superava a perfeição das minhas idéias e eu me livrava de sentimentos com incrível facilidade. Simplesmente por achar que eles não existiam.
Não sou uma constante. Estou em eterno processo de mudança e minha cabeça não aceitaria nada que fosse estático. Nada que beirasse a mesmice.
Das coisas que aprendi, talvez uma das mais importantes foi dar valor ao 'simplesmente bom'. Saber reconhecer quando algo está legal o suficiente no presente e deixar as coisas como elas estão.
Muita calma. Não estou dizendo que passei a me contentar com pouco. Simplesmente parei de deixar as minhas idealizações esconderem a realidade, o agora. Consegui parar de questionar o futuro. Aprendi a reconhecer os momentos agradáveis que fazem a minha vida mais leve. Sentir, mais do que pensar. Entorpecer-me com a calma que isso me traz.
Soa perfeito, não?
Diria que longe das minhas antigas idealizações, mas é o fio que me segura nos momentos difíceis. Quando nada, nada consegue ser melhor do que 'bom o suficiente'.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Vinte e dois anos depois...
Do "amor real" que vc e outras pessoas me ensinam, já amo um tanto. Quando mandar um "te amo" ou um "com amor", entenda que é desse...
É claro que o "incondicional" ainda pesa muito, mas por que nos incomodar com isso?
É claro que o "incondicional" ainda pesa muito, mas por que nos incomodar com isso?
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Parceira - Final
Sincero arrependimento de ter entregado você por uma brincadeira tola num momento de lapso será? foi estranho esquecer tão facilmente assim de algo que me foi pedido diretamente, talvez seja o momento de saber que nem tudo é brincadeira afinal existem coisas como essas que são chatas quando acontecem; pior ainda é que este post não resolverá nada e mesmo que eu tente ser cômico com a situação não existe piada que resolva infelizmente.
[sou péssimo nesse estilo, mas de bonito este post não tem nada]
--
e o amor?
o próprio
[sou péssimo nesse estilo, mas de bonito este post não tem nada]
--
e o amor?
o próprio
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Sonhei (Eu iria mudar, mas agora vai assim: como escrevi ontem)
Corria, corria, corria. Atrás de uma bicicleta: um cachorro persegue sua roda. Logo começou o cansaço, como isto era possível para alguém que tanto lutara para chegar até ali?
Continuei a maratona atrás do círculo de látex. Motivos diversos para fazer aquelas patas bambas continuarem a se movimentar. Mas a marcha mudou, a velocidade aumentou e, como era de se esperar, fiquei a uivar depois de um esforço que englobava alguma razão, uma considerável vontade e bastante fracasso.
Foi desta maneira, não através de um atropelamento, que percebi que os cães espertos apenas ladram. Felizes são estes, por suas pernas não ficam amolecidas após uma dura e (quase) sempre fracassada empreitada contra as marchas cruéis e diversas de uma bicicleta e seu maldito cestinho.
Continuei a maratona atrás do círculo de látex. Motivos diversos para fazer aquelas patas bambas continuarem a se movimentar. Mas a marcha mudou, a velocidade aumentou e, como era de se esperar, fiquei a uivar depois de um esforço que englobava alguma razão, uma considerável vontade e bastante fracasso.
Foi desta maneira, não através de um atropelamento, que percebi que os cães espertos apenas ladram. Felizes são estes, por suas pernas não ficam amolecidas após uma dura e (quase) sempre fracassada empreitada contra as marchas cruéis e diversas de uma bicicleta e seu maldito cestinho.
Mesmo assim, novamente preparo-me para correr. Desta vez tendo objetivo é bem mais carnal, se é que me entendem.
Afinal, nunca vi cachorro se alimentar de borracha. Já ossos já vi muitos não largarem. Apesar de saber que posso mastigá-lo, descobri que não tenho posse desse tutano que tanto desejo. Gostaria ser um homem, as vezes.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Sublime alma que me persegue tanto e incansavelmente
Já não me perturbas
Contra o frio de tua segurança já me protegi
A sua razão não mais tento decifrar
Faz parte de mim, você.
Alma contente que tanto vi
Não me importa que ninguém te entenda
Os seus demônios, são os meus
A sua existência, divina.
Me trouxeste insegurança
Coração apertado, muitas lembranças
Risadas desesperadas
Desconforto constante.
Tanto te evitei, abismo
O céu é ilusão, o chão o meu lugar
Caindo em câmera lenta, penso em ti
Bonita Tristeza, não mais te reprimo
Faz parte de mim, você.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Carta de despedida...
Bem, vamos por partes.
Me desculpe pelo "triste desfecho", como você mesmo falou, dessa nossa quase história...
Te achei muito gente boa, e não acho que você tenha errado em nada não, afinal o problema não é com você, é comigo mesma.
Preciso de um tempo pra mim agora, mesmo porque é tudo muito recente e eu te falei: terminei faz duas semanas.
E o que fez talvez eu ter atitudes infantis, vamos assim dizer, foi o fato de saber que você trabalha lá, onde também trabalha meu ex-namorado.
Como a poeira ainda não baixou, fiquei me sentindo muito mal.
Não espero que você compreenda tudo isso. Me desculpe. Tudo de bom para você também, apesar desses contratempos, foi muito bom te conhecer. Até um dia, quem sabe.
Beijos.
Me desculpe pelo "triste desfecho", como você mesmo falou, dessa nossa quase história...
Te achei muito gente boa, e não acho que você tenha errado em nada não, afinal o problema não é com você, é comigo mesma.
Preciso de um tempo pra mim agora, mesmo porque é tudo muito recente e eu te falei: terminei faz duas semanas.
E o que fez talvez eu ter atitudes infantis, vamos assim dizer, foi o fato de saber que você trabalha lá, onde também trabalha meu ex-namorado.
Como a poeira ainda não baixou, fiquei me sentindo muito mal.
Não espero que você compreenda tudo isso. Me desculpe. Tudo de bom para você também, apesar desses contratempos, foi muito bom te conhecer. Até um dia, quem sabe.
Beijos.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Um dia depois...
...aquele aroma, que tanto me envolveu naquela madrugada, permanece no lençol daquele colchão jogado ao chão.
Sono e cheiro. Contradição nesta vontade de-mais.
Sono e cheiro. Contradição nesta vontade de-mais.
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